AFP
O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, defendeu nesta terça-feira as Igrejas Católicas da Alemanha, Áustria e Holanda, "entre outras", que reagiram com "rapidez e determinação" aos escândalos de pedofilia envolvendo vários de seus sacerdotes.
O porta-voz do Vaticano defendeu o comportamento das autoridades eclesiásticas dos países onde foram revelados graves escândalos de abusos de menores por parte de religiosos nos últimos meses, entre eles vários da Europa, como Alemanha, Irlanda, Holanda e Áustria.
"Concentrar os abusos apenas na Igreja deforma a perspectiva dos fatos", disse Lombardi em declarações à Rádio Vaticano.
Para o porta-voz da Santa Sé, "as reuniões episcopais feitas pelos países envolvidos demonstraram que eles abordaram o problema com transparência e, em alguns casos, aceleraram a revelação do caso, convidando as vítimas a falar ainda que já tenha transcorrido muito tempo", disse.
O governo alemão criticou na segunda-feira o papel da Igreja Católica nos escândalos de abusos sexuais que vieram à tona recentemente na Alemanha, nos quais também está envolvido um coro dirigido pelo irmão do papa Bento XVI.
A ministra de Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, repreendeu na segunda-feira o Vaticano, que dificultou as investigações sobre abusos sexuais em colégios católicos, onde havia sido erguido "um muro de silêncio".
O porta-voz do Vaticano lembrou que os casos de pedofilia denunciados não envolvem apenas a membros da Igreja Católica e indicou que na Áustria "de 510 casos investigados, 17 envolvem a Igreja".
Lombardi aprovou também a iniciativa lançada pelo governo alemão de convocar uma "mesa-redonda" com representantes da Igreja para discutir, entre outras coisas, as "indenizações" às vítimas.
A Conferência Episcopal Alemã havia rejeitado várias vezes essa proposta, alegando que os abusos sexuais contra menores "não são um problema específico" da Igreja Católica.
"A Igreja está preparada para participar e para se comprometer", anunciou Lombardi.
O Ministério da Família da Alemanha pretende realizar uma mesa-redonda em 23 de abril com a participação do setor educativo e das igrejas católica e protestante.
A chanceler alemã Angela Merkel agradeceu na segunda-feira a disponibilidade da Igreja local e elogiou "a seriedade" com que aborda o problema.
Os casos de pedofilia de sacerdotes afetaram diversos países, o que preocupa a Igreja Católica, que é responsável pela educação de muitos jovens no mundo.